Série

Autor admite erro no início de “Chapa Quente”: “Pesei a mão”



Cláudio Paiva, criador de “Chapa Quente”, atribuiu a baixa audiência dos primeiros episódios da temporada de estreia da série ao alto teor de críticas sociais e políticas que, segundo ele, tornou o texto pessimista e por isso não agradou ao público.

“Me deu vontade de fazer crítica social e política mais agressiva. E pesei a mão. A linguagem na charge tem esse deboche, na TV foi um erro. A série ficou pessimista, um erro que não dá para cometer. Na situação atual do país, as pessoas estão ligadas em tudo, mas têm esperança que vá melhorar. Quando corrigimos o tom, a audiência subiu”, analisou em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”.

Com o novo fôlego, a atração voltou ao ar no último dia 07 e passou a focar nas relações familiares. “No final da temporada passada, os personagens da Ingrid [Guimarães] e do [Leandro] Hassum tiveram filho, precisava investir nisso. Acho que com mais relações afetivas, crescemos”, justificou.

O autor ainda lembrou da importância de levantar questões atuais. “Acho legal propor discussões na TV aberta, com o tamanho da audiência que ela atinge. No início de “A Grande Família” fizemos um episódio falando de drogas. Outro dia no “Chapa Quente” a Marlene reclamava de ter que trabalhar, cuidar do bebê e ainda ter que se arrumar”, exemplificou.

Paiva também opinou sobre os limites do humor. “No Planeta Diário a gente vinha na onda da abertura democrática, tacamos pedra em tudo quanto é vidraça. Tinha a ver com o momento, com uma geração. Hoje, aos 58 anos, fazer humor adolescente, falando mal de tudo e de todos não me interessa. Não dá para ficar tipo o Lobão, falando mal de todo mundo. É muito rancoroso”, finalizou.

Autor: Ferregui

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