Aguinaldo Silva critica decisão da Globo de cortar colaboradores
Em um texto publicado na manhã desta segunda-feira (08) em seu site pessoal, Aguinaldo Silva criticou a direção da Globo.
O autor comentou uma notícia de que a emissora carioca limitou a quantidade de colaboradores por novela. Antes, alguns escritores chegavam a ter dez profissionais para ajudar em um folhetim. Agora, a ordem é diminuir este número para três ou, no máximo, quatro.
Contra esta decisão, Aguinaldo explicou que as séries americanas são feitas por equipes ainda maiores e, mesmo assim, as “histórias não ficam descaracterizadas”, conforme acredita a alta cúpula da Globo.
“As séries americanas, escritas por dezenas de colaboradores liderados por um showrunner (palavra que, entre nós, poderia ser traduzida por certa liberdade por ‘autor’), são de uma organicidade, de uma unidade ímpar”, escreveu.
Segundo ele, os colaboradores evitam erros do autor. “A equipe me mantém alerta e impede possíveis cochilos meus — dos que tanto se vê em novelas de apenas um escritor”, alfinetou o veterano. Em “Império” (2014), por exemplo, Aguinaldo trabalhou com sete roteiristas.
“E nunca houve alguém capaz de dizer que um só dos 203 capítulos da novela não saíra da minha lavra ou não tinha o meu estilo. Tudo é uma questão de método de trabalho. O método dos showrunners das grandes séries americanas é parecido com aquele que utilizo há anos. E parece que com algum sucesso, já que rendeu dois Emmys”, argumentou o global.
Para Aguinaldo Silva, o hábito de trabalhar com grandes equipes veio da experiência no jornalismo. “Sempre trabalhei com muitos colaboradores. Não porque dependesse deles para escrever as minhas novelas, mas porque, vindo das redações de jornais, sempre achei o trabalho em equipe muito mais prazeroso e eficiente”, explicou.
No texto, o autor destacou “todo respeito [que possui] pela emissora para a qual trabalho e tanto prezo” e que pode se adaptar ao novo esquema, caso isto “me for exigido”.
A Globo decidiu diminuir a quantidade de colaboradores após o fracasso de “Babilônia” (2015). Com sete ‘ajudantes’, a novela das nove tinha três escritores responsáveis: Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga.


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